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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"WE ARE THE CHAMPIONS - MY FRIENDS..."





No último semestre antes do estágio curricular de 180 horas, muitas expectativas... A maior de todas, para mim, é a proximidade da tão sonhada formatura: não apenas como o encerramento de uma longa e difícil jornada, mas como o início de uma nova etapa com outros objetivos a serem perseguidos.


Nos estudos sobre o pai da Didática, propostos em DIDÁTICA, PLANEJAMENTO E AVALIAÇÃO, surpreendi-me com a aproximação de algumas ideias desse pensador com certas especificidades da minha prática. Da postagem As preocupações de Comenius..., resgato um trecho onde afirmo que...


"Percebi, através das leituras realizadas, que Comênio preocupava-se com o sucesso escolar dos alunos e, na escola de Educação Infantil em que atuo, a maioria dos professores também investe muito esforço na efetiva construção da aprendizagem, sob vários aspectos. Consideramos as necessidades e as capacidades dos alunos e alternamos atividades dirigidas e livres. O bom relacionamento entre todos é incentivado sempre. Muitas vezes, eu também gostaria de descobrir um método com o qual eu “ensinasse” - ou falasse - menos e meus alunos “aprendessem” – ou ouvissem – mais... “Menos barulho, menos enfado, menos trabalho inútil” também seriam bem-vindos, assim como “mais recolhimento, mais atrativos e mais sólidos progressos”! Assim como idealizava Comênio, em minhas propostas de trabalho, incluo a observação e a experimentação, privilegiando a exploração dos cinco sentidos e o estudo, com atividades lúdicas, sobre alguns temas da natureza. Entretanto, percebo uma mistura do novo e do velho na minha prática, pois sou um pouco de tudo o que vivi até agora, no âmbito familiar, escolar e social e, por mais que tente me livrar de certas características indesejáveis, elas afloram... estão por demais enraizadas no meu ser."


Os estudos sobre Currículo Integrado, propostos na Unidade 2 da interdisciplina tinham como objetivos: identificar as influências dos modos de produção nos sistemas educacionais; compreender as origens das propostas do currículo integrado e exercitar o planejamento de uma atividade interdisciplinar.


Apesar de ser um tema amplamente discutido há tempos na área da educação, foi extremamente positivo voltar a estudá-lo, dessa vez com a colaboração de uma colega. Currículo Integrado - reflexão em duplas, postagem referente à atividade, incitou uma discussão sobre os obstáculos da excessiva fragmentação do conhecimento disciplinar e possíveis alternativas a isso. Duas leituras apoiaram a produção textual. A partir do fragmento de Japiassu (1994), sobre divisão das disciplinas escolares, naturalmente aceita como ‘correta’ e ‘imutável’, produzimos, em duplas, uma reflexão sobre a relação entre a “fragmentação dos processos de produção (Taylorismo & Fordismo) e a cultura escolar” e também sobre a relação entre as novas necessidades das economias de produção flexível com o sistema escolar. Um tema por demais complexo para ser sintetizado em 25 a 30 linhas, na minha opinião.

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL, área defendida com paixão pela Profª Dóris iniciou com o estudo da legislação vigente (vide EJA - Parecer CEB 11/2000). Na unidade História da Educação de Jovens e Adultos e Políticas Públicas - o grupo 7 envolveu-se na produção de reflexões que possibilitaram uma aproximação mais responsável da realidade dessa área da educação escolar. Através do Parecer CEB no 11/2000, elaborado por Carlos Roberto Jamil Cury (membro do Conselho Nacional de Educação), inteiramo-nos das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, bem como debatemos sobre algumas questões importantes na aula presencial do dia 02/09. Diante da possibilidade de melhor conhecer diferentes aspectos da EJA no que se refere aos seus fundamentos e funções, à sua legislação específica e à sua história, eu e minhas colegas, Emília e Maria Margarete, compartilhamos nossas interpretações por meio do fórum no Rooda.

Foi com com certa ansiedade que esperei pelo primeiro encontro da interdisciplina LINGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS - EAD. Mas na postagem AULA PRESENCIAL NOTA DEZ!!!!!, através de algumas histórias, dinâmicas e brincadeiras, a professora Janaína nos desafiou a olhar - e ver - com muito mais atenção... com seus gestos, suas expressões faciais e, principalmente, seu olhar, ela foi tão ou mais eloquente do que um orador talentoso que usa a sua voz para transmitir uma mensagem. Mensagem de respeito, de orgulho, de igualdade na diversidade! De certa forma, foi um alívio saber que não precisaremos nos tornar "experts" na comunicação através de Libras, mas, sim, conhecer o sujeito surdo, a legislação, a organização das escolas especiais - defendidas pela professora como um importante espaço de interação e aprendizagem.Afinal, a sociedade deveria oferecer - a todo ser humano, ouvinte ou não - o máximo de oportunidades para que este pudesse usufruir plenamente de sua cidadania. E, dentre essas oportunidades, está uma educação escolar de qualidade, afinal, O SOL NASCE PRA TODOS...


A meu ver, a principal aprendizagem construída a partir da interdisciplina LINGUAGEM E EDUCAÇÃO está parcialmente descrita em TROCANDO IDEIAS E SUGESTÕES DE ATIVIDADES... Compartilhar o planejamento de algumas horas de atividades com as colegas do Pead que também atuam na Educação Infantil foi um momento valiosíssimo da aula presencial do dia 11 de novembro. A professora Iole pontuou alguns aspectos relativos à organização formal - escrita - do planejamento organizado e apresentado, sendo que a maior parte das dúvidas foram com relação à "sistematização" solicitada nas orientações referentes ao desenvolvimento da atividade. Para mim, ficou mais claro que essa atividade de sistematização é algo que está relacionado ao conteúdo escolar, como uma forma de compreendê-lo melhor através de exercícios, desafios, charadas... No meu planejamento, a atividade de sistematização consistia na leitura do texto coletivo, cujo objetivo era oportunizar um confronto (inicial) com a leitura de palavras e frases, acompanhadas de garatujas e desenhos. Dessa forma, a criança amplia a sua compreensão sobre uma das funções sociais da leitura - e escrita: a transmissão de informações com um determinado objetivo.


Como sempre, SEMINÁRIO INTEGRADOR VII interligou as demais interdisciplinas, sendo que Teses sobre Projetos de Aprendizagem - argumentações nem tão fáceis assim! indicam um amadurecimento das ideias sobre a temática, pois, após desenvolvermos dois Projetos de Aprendizagem em momentos distintos do curso de Pedagogia a Distância da UFRGS, os elementos constitutivos dessa metodologia de aprendizagem - se é que podemos chamá-la assim - vão se tornando cada vez mais claros, ao menos para mim. Isto foi possível graças à tarefa de refletir e argumentar sobre cada etapa e recurso do PA, levando em consideração algumas teses apresentadas e o confronto das mesmas com as ideias das colegas.


Já no início do texto "APRENDIZES DO FUTURO: AS INOVAÇÕES COMEÇARAM!PROJETO? O QUE É? COMO SE FAZ?", as autoras LÉA DA CRUZ FAGUNDES, LUCIANE SAYURI SATO e DÉBORA LAURINO MAÇADA, trazem a definição do termo PROJETO: ... São associadas a esse termo diferentes acepções: intenção (propósito, objetivo, o problema a resolver); esquema (design); metodologia (planos, procedimentos, estratégias,desenvolvimento). Assim podem ser concebidas a atividade intelectual de elaboração do projeto e as atividades múltiplas de sua realização. (Boutinet, 1990).


No workshop de encerramento de semestre, dividi com os presentes um pensamento que considero muitíssimo pertinente, em face da inversão de valores que observamos ao nosso redor e que é, em grande parte, causadora de muitas das atrocidades cometidas pelo homem contra a própria humanidade...


"Os educadores precisam compreender que ajudar as pessoas a se tornarem pessoas é muito mais importante do que ajudá-las a tornarem-se matemáticas, poliglotas ou coisa que o valha."
Carl Rogers, psicólogo norte-americano (1902-1987)









domingo, 4 de julho de 2010

Preparando a apresentação do Eixo VIII... Estágio Curricular!

Sintetizar as tantas e tão consistentes aprendizagens do estágio curricular de 180 horas em um documento* de duas a três páginas exigiu uma capacidade de síntese que eu não imaginava possuir ainda.
Já a criação da tradicional apresentação dessa síntese de aprendizagens - o workshop de encerramento de semestre - constituiu tarefa menos complexa, embora a explanação através de um powerpoint** não pudesse exceder a dez minutos.
A inclusão de fotos conferiu um ar de encantamento e veracidade aos relatos, a meu ver, talvez por eu ter vivenciado intensamente cada momento descrito, positivo ou não, alegre ou melancólico, tranquilo ou estressante...
Sem dúvida, algumas constatações contribuirão para a definição de um assunto para o Trabalho de Conclusão de Curso, entre elas:
- as características e as intensidades de toques entre os meninos; as meninas; ou entre ambos variavam muito e as atividades proporcionadas para estimular diferentes interações físicas foram recebidas de forma muito variável;
- os apelos televisivos explicitados pelos alunos, especialmente após os finais de semana, apresentam grandes inadequações para a faixa etária e a própria infância, em geral (violência, sensualidade, gírias e palavrões...);
- a presença de diferentes objetos de transferência, alguns muito prejudiciais para a saúde física e emocional das crianças (uso de chupetas ou hábito de chupar o dedo, paninhos, almofadas e/ou cobertores de bebê para o sono...).
Diante dessas temáticas absolutamente instigantes e relevantes para a qualificação das minhas interferências educativas junto à turma do Nível 5 encontro-me realmente dividida, pois, ao mesmo tempo em que tenho de optar por uma delas para efetivar maiores aprendizagens, permanece a vontade e a necessidade de pesquisar sobre as outras duas, de igual importância nesse momento.
** Disponível em: CRISTINA_WORKSHOP_2010_1.ppt

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Convergências conceituais e metodológicas resultantes do trabalho no Seminário Integrador 8 e no Estágio Curricular...



Ao elaborar o Projeto de Estágio, vislumbrando as temáticas das nove semanas, percebi que uma das lacunas em minha prática profissional é a dificuldade de planejar com relativa antecedência, o que já mencionei no início do semestre. No decorrer dessas dez semanas de intensas trocas e reflexões, a forma como penso e registro meu planejamento foi aprimorada, especialmente no que se refere ao planejamento pedagógico e seu caráter reflexivo. Esse aprimoramento pode ser observado na primeira e na segunda versão do planejamento semanal da quarta semana e também na reflexão desse mesmo período.
Durante a prática de estágio, registrando detalhadamente os planejamentos e as reflexões semanais e deparando-me com as dúvidas surgidas a partir desses registros, passei a pesquisar muito mais sobre os processos de desenvolvimento dos meus alunos e suas implicações no cotidiano escolar. Diante da necessidade de documentar as atividades realizadas, renovei minha capacidade de ousar e mostrar minha ousadia sem o temor de parecer exibicionista.

E por reconhecer que meus alunos precisam explorar o próprio corpo e interagir com os colegas – e comigo – através do contato físico, proporcionei momentos com essas interações, não só para desinibir, integrar ou alegrar a turma, mas também para estreitar os laços afetivos e renovar os sentimentos de amizade e união que contribuem para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem.

“Montagu (1996), explica a importância do toque corporal de qualidade na educação humana, bem como para as experiências de iniciativa e de criatividade.” Ao compreender a criança em sua totalidade como um ser que aprende e se desenvolve ao exteriorizar-se, devo, como educadora, aumentar a frequência dessas atividades expressivas, permitindo a comunicação com os objetos, com os adultos e com os iguais de uma maneira responsável, rica e afetuosa.


Referências:

KRUG, Marília de Rosso; MARQUES, Marta Nascimento. Educação física escolar: expectativas, importância e objetivos. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd122/educacao-fisica-escolar-expectativas-importancia-e-objetivos.htm Acesso em: 12. jun. 2010.


sábado, 12 de junho de 2010

FINAL DE ESTÁGIO! O QUE FICOU?



A proximidade do final desta etapa tão esperada e ao mesmo tempo tão trabalhosa, devido a grande quantidade de registros detalhados, traz consigo uma sensação de alívio e satisfação, por uma série de motivos:
- a certeza do bom trabalho realizado, comprometido com as reais necessidades dos alunos;
- o interesse e a satisfação das crianças durante a realização das atividades
- o comprometimento de grande parte das famílias com as propostas interativas;
- o surgimento de novas estratégias de ensino, uma mescla entre o antigo e o novo jeito de pensar, registrar, aplicar e avaliar, pois...
"Pensar não se reduz, acreditamos, em falar, classificar em categorias, nem mesmo abstrair. Pensar é agir sobre o objeto e transformá-lo." (Piaget, 1972, p. 85)
Estou certa de que essas transformações no meu fazer pedagógico estender-se-ão por toda a minha vida profissional, especialmente através dos recursos de pesquisa disponíveis atualmente. Minha prioridade, a curto prazo, é aprofundar meus conhecimento sobre os modos pelos quais nos tornamos determinados sujeitos e que tipo de relações estabelecemos - conosco e com os outros - a partir das experiências que vivemos. Através desse estudo, espero obter realizações pessoais também, otimizando o meu próprio modo de interação com os meios escolar, social e familiar.
REFERÊNCIA:
PIAGET, Jean. [1972] Problemas de psicologia genética. Rio de Janeiro: Forense, 1973.






sábado, 5 de junho de 2010

Vale a pena contemplar as sugestões dos alunos?


Observei minha turma e, a partir das constatações sobre seus interesses e/ou necessidades, elaborei um projeto pedagógico, unidade temática - seja qual for o nome - que possibilitasse a construção de uma série de conhecimentos e aquisição de habilidades esperadas para a sua idade cronológica ou, melhor, sua fase de desenvolvimento.
Durante a aplicação das atividades previstas, ocorreram pequenos - e até grandes - desvios na rota cuidadosamente traçada... Por quê? Será que o assunto, as estratégias e os recursos não contemplavam, verdadeiramente, os anseios da turma? Ou fui eu que não os conduzi de maneira apropriada, desafiadora e animadamente? A falta de interesse demonstrada por alguns alunos, especialmente na construção da maquete do prédio, na criação coletiva de uma história ilustrada e na sessão de relaxamento com massagem, levou-me a refletir sobre:
- sua curiosidade não foi despertada (por quê?);
- a possibilidade de interagir com outros recursos foi mais atraente (eu não deveria disponibilizá-los?);
- poderia eu "obrigá-los" a participar? Como? E se o fizesse, que resultados alcançaria?
Ao imaginar que todos contribuiriam ativamente com as propostas apresentadas, ignorei o que já sei há tempo, mas insisto em esquecer: o fato de que cada indivíduo tem o seu tempo e o seu modo de interagir com o meio e de assimilar/acomodar os conhecimentos. O aluno que "faz tudo" não aprende necessariamente mais do que aquele que apenas observa ou ouve o desenrolar da aula; aprende diferente. A posterior retomada dos conteúdos exige novas pesquisas e intervenções de minha parte, caracterizando constantes ações reflexivas que, apesar de trabalhosas e, muitas vezes, cansativas, qualificam a minha prática profissional e proporcionam uma agradabilíssima sensação de "dever cumprido".
Segundo o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, mundialmente conhecido a partir dos anos 60, por sua proposta revolucionária de alfabetização através da qual, para além da mera aquisição da linguagem escrita, a partir da realidade vivencial dos educandos e do diálogo permanente, busca-se a leitura e a compreensão crítica do mundo, para poder transformá-lo, "não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão."

Assumo, assim, uma postura de educadora-educanda problematizadora: questiono meus alunos sobre suas atitudes, ouço (e contemplo) suas sugestões, na medida do possível, e ainda devolvo-lhes muitos dos seus questionamentos, o que acarreta uma certa desestruturação no meu planejamento inicial, à medida que algumas abordagens/atividades são modificadas ou até eliminadas em favor de outras, mais pertinentes.
Ainda segundo Freire, não há diálogo sem amor ao mundo e aos homens, sem humildade, sem fé no crescimento do outro. Esta tríade gera, então, uma relação horizontal na educação, em que a confiança de um pólo no outro acontece naturalmente. A esperança (busca por ser mais) e o pensar verdadeiro, crítico completam a dialogicidade da educação como prática da liberdade, que começa "não quando o educador-educando se encontra com os educando - educadores em uma situação pedagógica, mas antes, quando aquele se pergunta em torno do que vai dialogar com estes." Ao analisar meu planejamento sob esta ótica, surpreende-me sua proximidade com o pensamento do grande mestre, uma vez que a organização do meu programa de ensino baseou-se muito nos Planos de Estudos da Educação Infantil, pela sua riqueza e pertinência, não como doação ou imposição, mero conjunto de informes a ser depositado nos educandos, mas devolução
organizada, sistematizada e acrescentada dos elementos que os próprios alunos me "entregaram" de forma desestruturada. O resultado? Uma educação autêntica, não de A para B ou de A sobre B, mas de A com B, em mediação com um mundo que impressiona e desafia a todos, originando visões impregnadas de anseios, de dúvidas, de esperanças (ou desesperanças) que implicitam temas significativos, base do conteúdo contemplado.
Então, já não me inquieto tanto com os "desvios de rota", mas percebo e justifico-os como consequência do papel ativo assumido por meus alunos no seu processo de aprendizagem escolar, o qual permito e estimulo, objetivando também o fortalecimento da sua autonomia e do seu pensamento crítico. E se me questionam acerca de uma dinâmica "chata" ou "sem graça", sugerindo outra, como posso reclamar de sua "audácia" ?
REFERÊNCIAS:
FREIRE, Paulo. A dialogicidade – essência da educação como prática da liberdade. In: _____. Pedagogia do Oprimido. 40ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. p.89-101.

domingo, 23 de maio de 2010

A flexibilidade do planejamento pedagógico e suas implicações




Antes de iniciar a prática propriamente dita, elaborei, com certo esforço, o cronograma geral do período de estágio, dentro do Projeto de Estágio, antecipando as temáticas e os conteúdos abordados durante as nove semanas de trabalho. Nesse momento, eu já sabia que uma colega de trabalho realizaria um estágio de 40 horas na minha turma, ocupando suas tardes durante duas semanas com atividades interessantes, diversificadas, mas gerando uma rotina diferente - embora os alunos a conhecessem bem - e, às vezes, um pouco cansativa.
Por esse motivo, prevendo e depois confirmando a excessiva agitação dos alunos, oportunizei, nas manhãs em que realizava minha prática de estágio, atividades mais leves, recreativas e, de certa forma, "atrasei" o meu cronograma inicial. Como este planejamento tinha um caráter provisório, flexível mesmo - como acredito que deve ter - não me preocupei em cumprir prazos e realizar atividades apenas porque estavam marcadas para ocorrerem em determinada semana. Contudo, sabendo da importância dos objetivos de aprendizagem traçados, precisava criar alternativas viáveis para alcançá-los sem "estressar" mais ainda a alunos e professores envolvidos com a turma.
Perrenoud discorre sobre uma pedagogia diferenciada que relacionei, sob certos aspectos, com as adaptações de meu planejamento semanal:
"O importante, em uma pedagogia diferenciada, é criar dispositivos múltiplos, não baseando tudo na intervenção do professor.
...
Organizar o espaço em oficinas ou em "cantos" - entre os quais os alunos circulam - é uma outra maneira de enfrentar as diferenças. Nenhuma delas é, sozinha, uma solução mágica."
E assim, intercalando atividades recreativas e de produção formal de conhecimento, entre pequenos grupos de atuação, percebi que as dinâmicas empreendidas na sala de aula passaram a apresentar novos contornos - mais suaves - melhorando consideravelmente o ambiente em si.
É claro que estas minhas considerações sobre o tema carecem de um aprofundamento teórico consistente e, embora instigante, não pretendo, por ora, investir um tempo maior com estudos a esse respeito. Caso contrário, nem sei se disporia - hoje - das qualidades citadas pelo sociólogo suíço como necessárias para implementar uma diferenciação metodológica realmente inovadora.
"A diferenciação exige métodos complementares e, portanto, uma forma de inventividade didática e organizacional, baseada em um pensamento arquitetônico e sistêmico."
E se já tive essas qualidades, como aluna, e não mais as tenho agora, como educadora, em que parte do percurso as teria perdido? Ou estarão elas apenas adormecidas, necessitando de uma boa dose de estudo motivado pelo desejo de atender melhor a meus alunos? Quem sabe, ainda acabarei me orgulhando de algo novo surgido (também) a partir das reflexões suscitadas pela prática do estágio curricular, tão trabalhoso, mas, afinal, tão frutífero!
Referências:
PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.




sábado, 8 de maio de 2010

QUANDO MENOS É MAIS!

Para mim, o encerramento de uma temática em estudo é, quase sempre, motivo de angústia.
Primeiro, porque novas ideias de atividades vão surgindo durante o desenvolvimento daquilo que planejei, inclusive por sugestões de colegas, alunos e equipe de apoio.
Segundo, porque nem tudo o que planejei foi aplicado, por diversos motivos: os alunos não demonstraram o interesse esperado; algumas atividades mostraram-se, afinal, simples ou complexas demais...
E, por fim, não obtivemos (todas) as respostas pretendidas!
Mesmo tendo consciência de que todas as particularidades mencionadas integram a realidade escolar e são perfeitamente aceitáveis, dentro de certos limites, tenho a impressão de que encerro algo imperfeito, quando gostaria de avançar para uma próxima etapa com todos os objetivos anteriores alcançados. Esta mania de perfeição, este ímpeto de atingir o inatingível já me trouxe muito sofrimentos... Agora, mais consciente acerca das limitações alheias - e das minhas - tento transformar as lacunas em oportunidades de aprendizagem e aprimoramento.
Na prática profissional, por exemplo, quando percebo a inadequação de uma atividade prevista, modifico-a, na medida do possível, ou adio a sua realização. E não considero essa estratégia como algo negativo ou menor, como parece sugerir o arquiteto, político e ativista social brasileiro Francisco Whitaker Ferreira em sua obra Planejamento sim e não:

"Uma ação planejada é uma ação não improvisada; uma ação improvisada é uma ação
não planejada." (Ferreira, 1985, p.15)
Percebo que o improviso tem um papel fundamentalmente positivo no meu ambiente de trabalho, ainda mais nestes dias chuvosos em que a pracinha - inundada - pode ser admirada apenas através das vidraças da sala de aula. Os amplos movimentos ao ar livre são, então, substituídos por brincadeiras como “vivo- morto”, as quais não suprem totalmente a falta dos brinquedos da praça, mas também promovem alegria, entretenimento saudável e movimento.
E assim, através das reformulações do planejamento pedagógico, conforme as necessidades do meio ou do grupo, torna-se evidente a flexibilidade que caracteriza esse meu instrumento de trabalho.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

TROCANDO IDEIAS E SUGESTÕES DE ATIVIDADES...



Compartilhar o planejamento de algumas horas de atividades com as colegas do Pead que também atuam na Educação Infantil foi um momento valiosíssimo da aula presencial do último dia 11 de novembro. A professora Iole pontuou alguns aspectos relativos à organização formal - escrita - desse planejamento, sendo que a maior parte das dúvidas foram com relação à "sistematização" solicitada nas orientações referentes ao desenvolvimento da atividade.


Para mim, ficou claro mais claro que essa atividade de sistematização é algo que está relacionado ao conteúdo escolar, como uma forma de compreendê-lo melhor através de exercícios, desafios, charadas...


No meu planejamento, a atividade de sistematização consiste na leitura do texto coletivo, cujo objetivo é oportunizar um confronto (inicial) com a leitura de palavras e frases, acompanhadas de garatujas e desenhos. De forma lúdica, utilizando a “varinha mágica”, roupas e fantasias disponíveis na sala, a professora relê o texto em voz alta, apontando com um bastão as palavras. Depois, convida um voluntário para se caracterizar como quiser e realizar a sua leitura para o grupo.


A realidade privilegiada de minha escola e das famílias dos meus alunos confirma a constatação abaixo destacada, com relação ao letramento familiar e escolar:


"Livros de literatura infantil e jogos são apresentados a algumas crianças antes de elas entrarem na escola e iniciarem formalmente o processo de alfabetização; e essa experiência dependerá de oportunidades diferenciadas de acesso a tais materiais. Durante a intervenção sistemática da educação infantil ou presenteadas pelos familiares com esses artefatos culturais e outros tantos que compõem o universo da alfabetização, como lápis, canetinhas, papel, cadernos, borracha, livrinhos de história, jogos com letras, palavras, histórias e números, etc., as crianças curiosamente exploram tais artefatos escolares, reconhecem o valor dado a eles em casa, na livraria, no supermercado e, nesse momento, ou em seguida, na escola. Soma-se tais artefatos a portadores de texto, comumente explorados em casa, como jornal, guia telefônico, bulas, receitas, notas, listas de compras, recados, etc., cujo uso não depende só do domínio da leitura e escrita, mas envolve o domínio e uso de novas tecnologias..." (Trindade, 2005)


Sendo assim, quando passam da Escola de Educação Infantil para a Educação Infantil das escolas de Ensino Fundamental, essas crianças já possuem um vasto conhecimento do mundo letrado, pois a soma das experiências familiares e das oportunidades vivenciadas na "creche" gera sujeitos mais ou menos alfabetizados ou mais ou menos letrados que merecem um olhar diferenciado em seu novo contexto escolar.



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Teses sobre Projetos de Aprendizagem - argumentações nem tão fáceis assim!


Já no início do texto "APRENDIZES DO FUTURO: AS INOVAÇÕES COMEÇARAM!
PROJETO? O QUE É? COMO SE FAZ?"
, as autoras LÉA DA CRUZ FAGUNDES, LUCIANE SAYURI SATO e DÉBORA LAURINO MAÇADA, trazem a definição do termo PROJETO: ... São associadas a esse termo diferentes acepções: intenção (propósito, objetivo, o problema a resolver); esquema (design); metodologia (planos, procedimentos, estratégias,
desenvolvimento). Assim podem ser concebidas a atividade intelectual de elaboração do projeto e as atividades múltiplas de sua realização. (Boutinet, 1990).

Após desenvolvermos dois Projetos de Aprendizagem em momentos distintos do curso de Pedagogia a Distância da UFRGS, os elementos constitutivos dessa metodologia de aprendizagem - se é que podemos chamá-la assim - vão se tornando cada vez mais claros, ao menos para mim. Isto foi possível graças à tarefa de refletir e argumentar sobre cada etapa e recurso do PA, levando em consideração algumas teses apresentadas e o confronto das mesmas com as ideias das colegas.

Algumas conclusões que considero importantes:

A questão inicial expressa os interesses e as curiosidades que conduzirão leituras, pesquisas, entrevistas e outras ferramentas utilizadas no desenvolvimento do PA. Linguagem, Ciências, Matemática, Literatura, Arte... qualquer assunto pode tornar-se objeto de estudo.

Nossos conhecimentos prévios sobre o assunto em estudo são "checados" e, assim, novos conhecimentos são construídos: somam-se ou alteram-se informações com base nas pesquisas feitas.

A busca por respostas - de qualquer área do conhecimento - move o sujeito em direção a diferentes formas de coleta de dados, se for preciso, até que encontre - ou não - as respostas.

As ferramentas - ou os meios - utilizados para os esclarecimentos/confirmações/refutações das dúvidas e certezas norteiam a busca por respostas e conclusões.

Qualquer que seja o recurso utilizado para construir essa ferramenta, - que organiza e representa conhecimentos - ele permite que o sujeito reflita com mais clareza sobre os conceitos e as relações entre os mesmos. Assim, pode também observar a evolução da sua aprendizagem através das diferentes versões de mapas que produzirá ao longo das investigações.

Atualmente, pode ser mais difícil analisar e selecionar as informações do que simplesmente encontrá-las, afinal, são muitas fontes disponíveis, nem sempre confiáveis. Nesse sentido, a discussão entre o grupo de colegas e professores pode ser extremamente útil, não só para selecionar dados confiáveis, mas principalmente interpretar e relacionar esses dados com o assunto em questão.

Acredito que o trabalho educativo através dos PAs é viável em muitas escolas, talvez não em todas... O diferencial pode estar na interdisciplinaridade facilitada por este método de trabalho, acredito. Depende da escola, da turma, da equipe de apoio, dos familiares e, em especial, do professor!

sábado, 31 de outubro de 2009

Sobre Pedagogia de Projetos...

Mesmo tendo estudado sobre o assunto no curso de Magistério, sempre é válido e extremamente prazeroso voltar a refletir sobre essa metodologia de trabalho, ainda mais assistindo a atividades práticas desenvolvidas por profissionais que, como eu, acreditam numa efetiva construção do conhecimento a partir da realidade do aluno. Os vídeos sugeridos - "Vamos passear na Vassoura da Bruxa Onilda?" e "Possibilidades! ao meu redor" - relatam experiências bem sucedidas, na Educação Infantil e nos Anos Iniciais, envolvendo alunos e educadores de uma forma realmente especial, comprometidos com uma aprendizagem conjunta, bem planejada, sem aquela rigidez de certos currículos escolares.

Dentre muitos aspectos positivos e desafiadores do trabalho por Projetos, destaco:
- a interdisciplinaridade pode ser facilitada;
- a aprendizagem é mais significativa – pois o tema parte dos interesses ou necessidades dos alunos;
- o conhecimento prévio dos sujeitos aprendentes é valorizado, favorecendo a construção de novos conhecimentos;
- sua organização inicial numa estrutura lógica e seqüencial dos conteúdos facilita a compreensão dos mesmos;
- o processo de avaliação analisa as inter-relações criadas na aprendizagem, partindo de situações “... nas quais é necessário antecipar decisões, estabelecer relações ou inferir novos problemas.” (p. 2).

Tanto na Educação Infantil quanto nos Anos Iniciais, a Pedagogia de Projetos impulsiona a leitura, a escrita e a interpretação de diversos gêneros literários, interligando os conteúdos de várias disciplinas.
A partir de um tema definido em conjunto, crianças de 3 ou de 8 anos, por exemplo, podem, de forma lúdica e cada uma a seu modo, “viver a fantasia que possibilita construir o real”, conforme explicita a experiência relatada no projeto sobre a viagem da bruxa Onilda. Em qualquer faixa etária, essa metodologia de trabalho permite que o aluno utilize e relacione elementos da sua realidade com o objeto em estudo, numa constante reorganização de conhecimentos representados através de brincadeiras, comentários, atitudes e habilidades. Entretanto, o tipo de abordagem e o nível de aprofundamento variam de acordo com o ano/série da turma, afinal, a fase de desenvolvimento e as reais necessidades dos alunos devem ser consideradas pelo professor no planejamento das atividades e na seleção dos recursos de ensino-aprendizagem.

Referências:

HERNÁNDEZ, Fernando; MONTSERRAT, Ventura. Os projetos de trabalho: uma forma de organizar os conhecimentos escolares. In: _____. A organização do currículo por Projetos de Trabalho. 5ª edição, Porto Alegre: Artmed, 1998.