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domingo, 4 de julho de 2010

Preparando a apresentação do Eixo VIII... Estágio Curricular!

Sintetizar as tantas e tão consistentes aprendizagens do estágio curricular de 180 horas em um documento* de duas a três páginas exigiu uma capacidade de síntese que eu não imaginava possuir ainda.
Já a criação da tradicional apresentação dessa síntese de aprendizagens - o workshop de encerramento de semestre - constituiu tarefa menos complexa, embora a explanação através de um powerpoint** não pudesse exceder a dez minutos.
A inclusão de fotos conferiu um ar de encantamento e veracidade aos relatos, a meu ver, talvez por eu ter vivenciado intensamente cada momento descrito, positivo ou não, alegre ou melancólico, tranquilo ou estressante...
Sem dúvida, algumas constatações contribuirão para a definição de um assunto para o Trabalho de Conclusão de Curso, entre elas:
- as características e as intensidades de toques entre os meninos; as meninas; ou entre ambos variavam muito e as atividades proporcionadas para estimular diferentes interações físicas foram recebidas de forma muito variável;
- os apelos televisivos explicitados pelos alunos, especialmente após os finais de semana, apresentam grandes inadequações para a faixa etária e a própria infância, em geral (violência, sensualidade, gírias e palavrões...);
- a presença de diferentes objetos de transferência, alguns muito prejudiciais para a saúde física e emocional das crianças (uso de chupetas ou hábito de chupar o dedo, paninhos, almofadas e/ou cobertores de bebê para o sono...).
Diante dessas temáticas absolutamente instigantes e relevantes para a qualificação das minhas interferências educativas junto à turma do Nível 5 encontro-me realmente dividida, pois, ao mesmo tempo em que tenho de optar por uma delas para efetivar maiores aprendizagens, permanece a vontade e a necessidade de pesquisar sobre as outras duas, de igual importância nesse momento.
** Disponível em: CRISTINA_WORKSHOP_2010_1.ppt

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Convergências conceituais e metodológicas resultantes do trabalho no Seminário Integrador 8 e no Estágio Curricular...



Ao elaborar o Projeto de Estágio, vislumbrando as temáticas das nove semanas, percebi que uma das lacunas em minha prática profissional é a dificuldade de planejar com relativa antecedência, o que já mencionei no início do semestre. No decorrer dessas dez semanas de intensas trocas e reflexões, a forma como penso e registro meu planejamento foi aprimorada, especialmente no que se refere ao planejamento pedagógico e seu caráter reflexivo. Esse aprimoramento pode ser observado na primeira e na segunda versão do planejamento semanal da quarta semana e também na reflexão desse mesmo período.
Durante a prática de estágio, registrando detalhadamente os planejamentos e as reflexões semanais e deparando-me com as dúvidas surgidas a partir desses registros, passei a pesquisar muito mais sobre os processos de desenvolvimento dos meus alunos e suas implicações no cotidiano escolar. Diante da necessidade de documentar as atividades realizadas, renovei minha capacidade de ousar e mostrar minha ousadia sem o temor de parecer exibicionista.

E por reconhecer que meus alunos precisam explorar o próprio corpo e interagir com os colegas – e comigo – através do contato físico, proporcionei momentos com essas interações, não só para desinibir, integrar ou alegrar a turma, mas também para estreitar os laços afetivos e renovar os sentimentos de amizade e união que contribuem para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem.

“Montagu (1996), explica a importância do toque corporal de qualidade na educação humana, bem como para as experiências de iniciativa e de criatividade.” Ao compreender a criança em sua totalidade como um ser que aprende e se desenvolve ao exteriorizar-se, devo, como educadora, aumentar a frequência dessas atividades expressivas, permitindo a comunicação com os objetos, com os adultos e com os iguais de uma maneira responsável, rica e afetuosa.


Referências:

KRUG, Marília de Rosso; MARQUES, Marta Nascimento. Educação física escolar: expectativas, importância e objetivos. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd122/educacao-fisica-escolar-expectativas-importancia-e-objetivos.htm Acesso em: 12. jun. 2010.


sábado, 19 de junho de 2010

LUGAR COMUM OU ASSUNTO IMPORTANTE?



Ao constatar a necessidade de realizar uma décima semana de estágio, recuperando 12 horas/aula referentes a dois feriados e uma formação continuada, elaborei o planejamento destas três manhãs de atividades contemplando uma temática em destaque na mídia televisiva, à qual meus alunos tem acesso facilitado. Assim, O BRASIL NA COPA, título dado à unidade de estudo, abordou algumas questões relacionadas ao mundo do futebol, aos símbolos nacionais e ao amor pela pátria, independente de seu desempenho nesta competição.

Confesso que fiquei dividida entre duas posturas, ou dois pensamentos:

- por que enaltecer ainda mais algo que já está recebendo demasiada importância pela maior parte das pessoas, em detrimento de outras demandas urgentes?

- já que o assunto está presente em praticamente todos os lares e as crianças trazem questionamentos e opiniões a seu respeito, por que não viabilizar uma compreensão maior do mesmo, sob outro ângulo?
Sendo assim, segui minha intuição - esta também baseada em minha formação - e optei por oportunizar diversas vivências escolares com o objetivo de despertar o amor e o respeito pela pátria, através de conhecimentos sobre a Bandeira Nacional, a entoação do Hino e o acompanhamento dos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo 2010 na África do Sul.
Analisando minha trajetória pessoal e profissional, percebo que, em muitos momentos, mantive uma certa distância desses clichês, por considerá-los - imaginem! - deselegantes, pouco atrativos e até piegas. Ultimamente, porém, assumo um lugar na sociedade que não permite esse distanciamento das coisas do povo... Será influência de Paulo Freire, estudioso tantas vezes reverenciado em várias interdisciplinas do curso de graduação em Pedagogia?
Talvez e provavelmente sim, porque também penso que sou - e serei sempre - um indivíduo inacabado, uma educadora em formação, um ser humano em evolução. Por isso mesmo, a busca do aperfeiçoamento profissional, vinculado à realização pessoal, faz-se necessária
e urgente, tamanho o comprometimento que assumo frente às múltiplas tarefas de professora, mãe, amiga, esposa, filha... Dificuldades há, e muitas, enfrentadas diariamente com força e determinação que eu desconhecia em mim, mas com a certeza de estar no caminho certo, contribuindo positivamente para as mudanças tão necessárias em nossa sociedade. Singelamente, estas mudanças passam por meus alunos, familiares e tantos outros sujeitos que cruzam o meu caminho, deixando algo de si e levando também algo de mim...
"Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Está é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado. Paulo Reglus Neves Freire (1921 - 1997), educador brasileiro.
Referência:
PENSADOR.INFO. Frases de Paulo Freire. Disponível em:

sábado, 12 de junho de 2010

FINAL DE ESTÁGIO! O QUE FICOU?



A proximidade do final desta etapa tão esperada e ao mesmo tempo tão trabalhosa, devido a grande quantidade de registros detalhados, traz consigo uma sensação de alívio e satisfação, por uma série de motivos:
- a certeza do bom trabalho realizado, comprometido com as reais necessidades dos alunos;
- o interesse e a satisfação das crianças durante a realização das atividades
- o comprometimento de grande parte das famílias com as propostas interativas;
- o surgimento de novas estratégias de ensino, uma mescla entre o antigo e o novo jeito de pensar, registrar, aplicar e avaliar, pois...
"Pensar não se reduz, acreditamos, em falar, classificar em categorias, nem mesmo abstrair. Pensar é agir sobre o objeto e transformá-lo." (Piaget, 1972, p. 85)
Estou certa de que essas transformações no meu fazer pedagógico estender-se-ão por toda a minha vida profissional, especialmente através dos recursos de pesquisa disponíveis atualmente. Minha prioridade, a curto prazo, é aprofundar meus conhecimento sobre os modos pelos quais nos tornamos determinados sujeitos e que tipo de relações estabelecemos - conosco e com os outros - a partir das experiências que vivemos. Através desse estudo, espero obter realizações pessoais também, otimizando o meu próprio modo de interação com os meios escolar, social e familiar.
REFERÊNCIA:
PIAGET, Jean. [1972] Problemas de psicologia genética. Rio de Janeiro: Forense, 1973.






sábado, 5 de junho de 2010

Vale a pena contemplar as sugestões dos alunos?


Observei minha turma e, a partir das constatações sobre seus interesses e/ou necessidades, elaborei um projeto pedagógico, unidade temática - seja qual for o nome - que possibilitasse a construção de uma série de conhecimentos e aquisição de habilidades esperadas para a sua idade cronológica ou, melhor, sua fase de desenvolvimento.
Durante a aplicação das atividades previstas, ocorreram pequenos - e até grandes - desvios na rota cuidadosamente traçada... Por quê? Será que o assunto, as estratégias e os recursos não contemplavam, verdadeiramente, os anseios da turma? Ou fui eu que não os conduzi de maneira apropriada, desafiadora e animadamente? A falta de interesse demonstrada por alguns alunos, especialmente na construção da maquete do prédio, na criação coletiva de uma história ilustrada e na sessão de relaxamento com massagem, levou-me a refletir sobre:
- sua curiosidade não foi despertada (por quê?);
- a possibilidade de interagir com outros recursos foi mais atraente (eu não deveria disponibilizá-los?);
- poderia eu "obrigá-los" a participar? Como? E se o fizesse, que resultados alcançaria?
Ao imaginar que todos contribuiriam ativamente com as propostas apresentadas, ignorei o que já sei há tempo, mas insisto em esquecer: o fato de que cada indivíduo tem o seu tempo e o seu modo de interagir com o meio e de assimilar/acomodar os conhecimentos. O aluno que "faz tudo" não aprende necessariamente mais do que aquele que apenas observa ou ouve o desenrolar da aula; aprende diferente. A posterior retomada dos conteúdos exige novas pesquisas e intervenções de minha parte, caracterizando constantes ações reflexivas que, apesar de trabalhosas e, muitas vezes, cansativas, qualificam a minha prática profissional e proporcionam uma agradabilíssima sensação de "dever cumprido".
Segundo o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, mundialmente conhecido a partir dos anos 60, por sua proposta revolucionária de alfabetização através da qual, para além da mera aquisição da linguagem escrita, a partir da realidade vivencial dos educandos e do diálogo permanente, busca-se a leitura e a compreensão crítica do mundo, para poder transformá-lo, "não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão."

Assumo, assim, uma postura de educadora-educanda problematizadora: questiono meus alunos sobre suas atitudes, ouço (e contemplo) suas sugestões, na medida do possível, e ainda devolvo-lhes muitos dos seus questionamentos, o que acarreta uma certa desestruturação no meu planejamento inicial, à medida que algumas abordagens/atividades são modificadas ou até eliminadas em favor de outras, mais pertinentes.
Ainda segundo Freire, não há diálogo sem amor ao mundo e aos homens, sem humildade, sem fé no crescimento do outro. Esta tríade gera, então, uma relação horizontal na educação, em que a confiança de um pólo no outro acontece naturalmente. A esperança (busca por ser mais) e o pensar verdadeiro, crítico completam a dialogicidade da educação como prática da liberdade, que começa "não quando o educador-educando se encontra com os educando - educadores em uma situação pedagógica, mas antes, quando aquele se pergunta em torno do que vai dialogar com estes." Ao analisar meu planejamento sob esta ótica, surpreende-me sua proximidade com o pensamento do grande mestre, uma vez que a organização do meu programa de ensino baseou-se muito nos Planos de Estudos da Educação Infantil, pela sua riqueza e pertinência, não como doação ou imposição, mero conjunto de informes a ser depositado nos educandos, mas devolução
organizada, sistematizada e acrescentada dos elementos que os próprios alunos me "entregaram" de forma desestruturada. O resultado? Uma educação autêntica, não de A para B ou de A sobre B, mas de A com B, em mediação com um mundo que impressiona e desafia a todos, originando visões impregnadas de anseios, de dúvidas, de esperanças (ou desesperanças) que implicitam temas significativos, base do conteúdo contemplado.
Então, já não me inquieto tanto com os "desvios de rota", mas percebo e justifico-os como consequência do papel ativo assumido por meus alunos no seu processo de aprendizagem escolar, o qual permito e estimulo, objetivando também o fortalecimento da sua autonomia e do seu pensamento crítico. E se me questionam acerca de uma dinâmica "chata" ou "sem graça", sugerindo outra, como posso reclamar de sua "audácia" ?
REFERÊNCIAS:
FREIRE, Paulo. A dialogicidade – essência da educação como prática da liberdade. In: _____. Pedagogia do Oprimido. 40ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. p.89-101.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

MEDIAÇÕES NAS BRINCADEIRAS LIVRES

Em toda a minha trajetória profissional na área da educação, sempre privilegiei momentos de brincadeiras livres nos planejamentos, tanto para a 3ªa série em que realizei o meu estágio do curso de Magistério, quanto para a Educação Infantil numa creche/escola particular que atendi enquanto aguardava a realização de um concurso público na cidade. Nos dois anos em que lecionei para uma 2ª série na rede municipal, também continuei valorizando o brincar como uma forma privilegiada de aprendizagem. Nos últimos 8 anos, atuando exclusivamente numa EMEI com crinças de 1 a 5 anos, tenho plena convicção de que o brincar é uma atividade muito produtiva que deve ser valorizada e ressignificada constantemente pelo educador que, ao observar o modo como as crianças brincam, pode perceber os usos e a forma de organizar os brinquedos, relacionando-os com seus contextos de vida e visões de mundo. E através disso, elaborar planejamentos de acordo com as necessidades e os interesses dos alunos, o que inclui brincadeiras livres e dirigidas.

E nessa investigação sobre produção de sentido entre professoras e crianças, identificar o que de mais significativo existe na vida de cada um, em cada momento da vida desses pares educativos: crianças e crianças, crianças e professora, crianças e mundo. (Junqueira, 2007, p. 12).


Ao reconhecer esse meu papel social e a importância de mediações sistemáticas, de projetos e princípios claros e intencionais, me sinto não apenas obrigada, mas impelida com grande entusiasmo na tarefa de pesquisar e aprofundar meus conhecimentos sobre as ações que envolvem o ato de brincar, especialmente as...

... MEDIAÇÕES DO ADULTO!

Mediações estas que sempre compreendi muito além de vigiar as crianças e zelar pela sua integridade física. Segundo minha mãe e outros parentes próximos sem formação escolar na área, "as crianças precisam ser ensinadas a brincar." Ou seja, precisam ser estimuladas através de exemplos criativos e dinâmicos, que suscitem novas interações com os mesmos objetos - por que não?

Depois de ler trechos do documento abaixo referido, comecei a organizar melhor minhas ideias a respeito e confirmei o que os familiares aprenderam com sua experiência de vida: devo estar atenta para o brinquedo como objeto especial, pleno de significados; para sua apropriação pelas crianças; para minhas falas e reações; para as brincadeiras que surgem; para a arrumação e a organização do espaço e para mim mesma.

Pretendo continuar as leituras e reflexões sobre essa grande fonte de desenvolvimento considerada por Vygotsky (1991), como foco de uma lente de aumento, que contém todas as tendências do desenvolvimento de forma condensada. Para o autor, a brincadeira fornece ampla estrutura básica para mudanças das necessidades e da consciência. Pois, nas brincadeiras, as crianças ressignificam o que vivem e sentem.

E assim, qualificar ainda mais minha prática, na compreensão mais aprofundada do que está em jogo quando a criança brinca, analisando o suporte material ou imaterial que desencadeia esse brincar, o ambiente, os momentos a ele destinados e as pessoas que dele participam... (por que tenho participardo cada vez menos desses momentos maravilhosos?)Tempo, espaço, companhia e material para brincar os meus alunos têm! Que bom: quanto mais eles veem, ouvem ou experimentam, mais conseguem aprender e assimilar; quanto mais elementos reais disponíveis em suas experiências, mais considerável e produtiva a atividade de sua imaginação.


REFERÊNCIAS:

SALTO para o Futuro. JOGOS E BRINCADEIRAS: DESAFIOS E DESCOBERTAS. Ministério da Educação, Secretaria de Educação a Distância. Ano XVIII, boletim 07 - Maio de 2008.
Disponível em:
http://www.tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/165801Jogos.pdf
Acesso em: 31. mai. 2010.

VYGOTSKY, L. S. Formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 4a edição,
1991.

domingo, 23 de maio de 2010

A flexibilidade do planejamento pedagógico e suas implicações




Antes de iniciar a prática propriamente dita, elaborei, com certo esforço, o cronograma geral do período de estágio, dentro do Projeto de Estágio, antecipando as temáticas e os conteúdos abordados durante as nove semanas de trabalho. Nesse momento, eu já sabia que uma colega de trabalho realizaria um estágio de 40 horas na minha turma, ocupando suas tardes durante duas semanas com atividades interessantes, diversificadas, mas gerando uma rotina diferente - embora os alunos a conhecessem bem - e, às vezes, um pouco cansativa.
Por esse motivo, prevendo e depois confirmando a excessiva agitação dos alunos, oportunizei, nas manhãs em que realizava minha prática de estágio, atividades mais leves, recreativas e, de certa forma, "atrasei" o meu cronograma inicial. Como este planejamento tinha um caráter provisório, flexível mesmo - como acredito que deve ter - não me preocupei em cumprir prazos e realizar atividades apenas porque estavam marcadas para ocorrerem em determinada semana. Contudo, sabendo da importância dos objetivos de aprendizagem traçados, precisava criar alternativas viáveis para alcançá-los sem "estressar" mais ainda a alunos e professores envolvidos com a turma.
Perrenoud discorre sobre uma pedagogia diferenciada que relacionei, sob certos aspectos, com as adaptações de meu planejamento semanal:
"O importante, em uma pedagogia diferenciada, é criar dispositivos múltiplos, não baseando tudo na intervenção do professor.
...
Organizar o espaço em oficinas ou em "cantos" - entre os quais os alunos circulam - é uma outra maneira de enfrentar as diferenças. Nenhuma delas é, sozinha, uma solução mágica."
E assim, intercalando atividades recreativas e de produção formal de conhecimento, entre pequenos grupos de atuação, percebi que as dinâmicas empreendidas na sala de aula passaram a apresentar novos contornos - mais suaves - melhorando consideravelmente o ambiente em si.
É claro que estas minhas considerações sobre o tema carecem de um aprofundamento teórico consistente e, embora instigante, não pretendo, por ora, investir um tempo maior com estudos a esse respeito. Caso contrário, nem sei se disporia - hoje - das qualidades citadas pelo sociólogo suíço como necessárias para implementar uma diferenciação metodológica realmente inovadora.
"A diferenciação exige métodos complementares e, portanto, uma forma de inventividade didática e organizacional, baseada em um pensamento arquitetônico e sistêmico."
E se já tive essas qualidades, como aluna, e não mais as tenho agora, como educadora, em que parte do percurso as teria perdido? Ou estarão elas apenas adormecidas, necessitando de uma boa dose de estudo motivado pelo desejo de atender melhor a meus alunos? Quem sabe, ainda acabarei me orgulhando de algo novo surgido (também) a partir das reflexões suscitadas pela prática do estágio curricular, tão trabalhoso, mas, afinal, tão frutífero!
Referências:
PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.




segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dias atípicos exigem posturas mais inovadoras ainda



Mais alguns daqueles dias em que é impossível sair para caminhar com a turma, brincar na pracinha ou até mesmo utilizar o pátio coberto, devido ao frio, umidade ou chuva.

Assim, em vez de irmos até a pracinha do campo - interagir com as demais turmas do prédio em outro espaço e observar alguns aspectos das casas pelo caminho - optei por uma modalidade de brincadeira livre que meus alunos simplesmente adoram: a criação de "cantinhos" temporários com temas relacionados às realidades do mundo infantil ou adulto.

Com menos frequência do que gostaria e deveria, participo dessas incursões pelo mundo da fantasia infantil, ocupando um lugar de honra na mesinha de chá, no salão de beleza, na fazenda de animais ou na escrivaninha da secretária. Segundo meus alunos, "pareço uma criança!" Nesses momentos, acredito que o diferencial que encanta as crianças e fortalece os vínculos afetivos entre o adulto mediador e aqueles que, em geral, desempenham um papel de submissão no ambiente escolar é o meu comportamento sério, minhas falas compenetradas e a importância que dou aos rituais realizados... E eles até riem de mim, dizendo que é só de mentirinha, e a profe não sabia... É claro que, no fundo, eles sabem que tudo não passa de um jogo, ou não?

Essa forma de abordagem dramática na educação se mantém como uma expressão contemporânea do teatro na escola, voltado para a subjetividade, visto que pressupõe as relações de cada indivíduo com seu imaginário e com sua expressividade. Este faz-de-conta infantil, uma prática lúdica individual ou em grupo, propõe a improvisação de um tema ou situação previamente escolhida, geralmente por eles. Não implica a participação de uma platéia, o que confere, a meu ver, uma espontaneidade e um prazer muito maiores a esses jogos. Não os utilizo com o objetivo de apresentação ou representação de algo, nem de apropriação dos mecanismos fundamentais do teatro, mas pela alegria, bem-estar e desenvolvimento afetivo, cognitivo e social que proporcionam a meus alunos e -por que não? - a mim também.

REFERÊNCIAS:

FUCHS, Ana Carolina Müller. Formas de abordagem dramática na educação. PEAD, 2007. Acesso em: 17. mai. 2010.



sábado, 8 de maio de 2010

QUANDO MENOS É MAIS!

Para mim, o encerramento de uma temática em estudo é, quase sempre, motivo de angústia.
Primeiro, porque novas ideias de atividades vão surgindo durante o desenvolvimento daquilo que planejei, inclusive por sugestões de colegas, alunos e equipe de apoio.
Segundo, porque nem tudo o que planejei foi aplicado, por diversos motivos: os alunos não demonstraram o interesse esperado; algumas atividades mostraram-se, afinal, simples ou complexas demais...
E, por fim, não obtivemos (todas) as respostas pretendidas!
Mesmo tendo consciência de que todas as particularidades mencionadas integram a realidade escolar e são perfeitamente aceitáveis, dentro de certos limites, tenho a impressão de que encerro algo imperfeito, quando gostaria de avançar para uma próxima etapa com todos os objetivos anteriores alcançados. Esta mania de perfeição, este ímpeto de atingir o inatingível já me trouxe muito sofrimentos... Agora, mais consciente acerca das limitações alheias - e das minhas - tento transformar as lacunas em oportunidades de aprendizagem e aprimoramento.
Na prática profissional, por exemplo, quando percebo a inadequação de uma atividade prevista, modifico-a, na medida do possível, ou adio a sua realização. E não considero essa estratégia como algo negativo ou menor, como parece sugerir o arquiteto, político e ativista social brasileiro Francisco Whitaker Ferreira em sua obra Planejamento sim e não:

"Uma ação planejada é uma ação não improvisada; uma ação improvisada é uma ação
não planejada." (Ferreira, 1985, p.15)
Percebo que o improviso tem um papel fundamentalmente positivo no meu ambiente de trabalho, ainda mais nestes dias chuvosos em que a pracinha - inundada - pode ser admirada apenas através das vidraças da sala de aula. Os amplos movimentos ao ar livre são, então, substituídos por brincadeiras como “vivo- morto”, as quais não suprem totalmente a falta dos brinquedos da praça, mas também promovem alegria, entretenimento saudável e movimento.
E assim, através das reformulações do planejamento pedagógico, conforme as necessidades do meio ou do grupo, torna-se evidente a flexibilidade que caracteriza esse meu instrumento de trabalho.

domingo, 25 de abril de 2010

NOVOS DESAFIOS DO ATO DE AVALIAR...



Na elaboração do Projeto de Estágio - ou Carta de Intenções - destaquei alguns objetivos pessoais de aprendizagem através da realização do estágio curricular do curso. Um desses objetivos refere-se ao complexo ato de avaliar: pretendo, pois...

"Reestruturar meus registros de avaliação dos alunos, através de estudos, pesquisas e troca de idéias com colegas, professores e tutores, significando ainda mais o caráter formativo desse instrumento."

Formativo, porque acompanha percursos de aprendizagem muito particulares, nos quais as situações de avaliação não devem apenas avaliar e medir o que a criança ainda não conseguiu aprender, mas apontar intervenções adequadas que contribuam para o avanço de cada um dos aprendizes.

Pesquisando sobre o assunto, eis que me deparo com um conceito abordado por Paulo Freire: o de coerência. Para ele, adotar diretrizes pedagógicas de modo conseqüente implica em uma prática por elas orientada, até em seus aspectos mais corriqueiros.

"As qualidades e virtudes são construídas por nós no esforço que nos impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e fazemos", escreveu o educador."

Como posso falar – ou escrever – sobre avaliação formativa sem refletir constantemente sobre o conteúdo trabalhado, o modo de trabalho e os resultados obtidos? Esta análise comprometida implica na revisão do conteúdo e no planejamento de atividades significativas para cada criança. E como saberei o que é realmente significativo para cada criança? Acredito que, além de observá-la, devo dialogar e interagir com ela nas mais variadas situações e, ainda, viabilizar uma ferramenta de autoavaliação através da qual eu possa, talvez, entender o que sabe sobre os conteúdos estudados, como ela está pensando, o que já aprendeu e o que falta - ou quer - aprender.

Nessa perspectiva, os instrumentos que utilizo são variados (observações, registros escritos, coletânea das produções mais significativas do aluno...), mas tenho plena consciência de que preciso organizar essas informações de modo a diagnosticar sistematicamente a construção de saberes específicos, capacidades, habilidades e aspectos ligados ao desenvolvimento pessoal e social do educando, utilizando-as realmente para repensar minha prática e não apenas como subsídio para redigir o Parecer Descritivo entregue aos familiares.

Então, na tentativa de otimizar esse processo de organização dos registros, criei uma tabela (?) a ser utilizada em cada trimestre, faltando apenas o que considero o mais difícil: definir uma estratégia eficiente para coletar as informações referentes à autoavaliação desses sujeitos cujas idades oscilam entre 4 anos e 7 meses e 6 anos e 3 meses!






Conversa em grupo ou individual? Registro com desenhos? Dinâmica familiar?

E sigo pesquisando...



segunda-feira, 12 de abril de 2010

O QUÊ? COMO? PARA QUÊ?



Planejar 9 semanas de aula com tanta antecedência foi, realmente, um excelente exercício mental, mesmo atuando há 8 anos na Educação Infantil, sempre estruturando meu fazer pedagógico por meio de Projetos de Trabalho. Além do cronograma geral de todo o período de estágio, foi preciso antever atividades, recursos, estratégias, saídas de campo e outros tantos elementos imprescindíveis nessa complexa atribuição do cargo de professor.


Compreendo o planejamento educativo no cotidiano escolar como um processo de reflexão, pois este envolve todas as ações e situações do meu trabalho. A elaboração de um roteiro detalhado para promover a efetiva construção do conhecimento deve oportunizar a interação entre os sujeitos envolvidos no processo e com o meio, proporcionando experiências múltiplas e significativas para o grupo de crianças. Um posicionamento crítico do educador diante de seu trabalho docente se faz necessário, conferindo flexibilidade e, portanto, liberdade para repensá-lo, buscando novos significados para sua prática pedagógica.


O planejamento marca a intencionalidade do processo educativo e os registros sistematizados dessa programação podem ser caracterizados um instrumento orientador do trabalho docente.


A forma de documentar esse planejamento é uma questão de organização pessoal, mas o conteúdo que lhe serve de base e a relação com os seus fundamentos precisa ser analisada.


No meu caso, a questão pode ser expressa com questionamentos aparentemente fáceis de responder:


O que é... para que é... e para quem é elaborado o planejamento na Educação Infantil?


Como afirma o professor José Fusari, fundamental “não é decidir se o plano será redigido no formulário X ou Y, mas assumir que a ação pedagógica necessita de um mínimo de preparo”.


Ao analisar meu trabalho, alegro-me ao constatar que minha visão de mundo, de criança, de educação, de processo educativo contribui positivamente na educação escolar de meus alunos e na sua formação pessoal, é claro. Ao selecionar um conteúdo, uma atividade, uma música... quanto de mim permanece eternizado na humanidade? E na forma de encaminhar e conduzir os trabalhos, que legado estarei deixando para o mundo?


Entretanto, lacunas existem, sim, em minha prática profissional e uma delas, confesso,

é a dificuldade de planejar com relativa antecedência, como nos foi solicitado agora, no estágio do curso de Pedagogia a Distância. Certamente, no decorrer desse período de intensas trocas e reflexões, a forma como penso e registro meu planejamento será aprimorada, especialmente no que se refere ao seu caráter reflexivo.


O TEMPO DIRÁ!

terça-feira, 23 de março de 2010

E TUDO CONVERGE PARA...



Depois de prolongadas e merecidas férias, a volta formal às atividades acadêmicas tem um quê de novidade há muito esperada: a prática do estágio! Mesmo sendo realizado na minha turma, com alunos que já conheço, essa prática vai ser muito especial, pois acredito que as reflexões originadas contribuirão para meu crescimento pessoal e profissional.

Provavelmente o planejamento, o desenvolvimento e a avaliação do trabalho que realizo não sejam diferentes daquilo que faço hoje... Entretanto, a expectativa de relatar isso tudo de maneira diversa, de compartilhar alegrias e angústias com professores, tutores e colegas do Pead e de receber - com muito orgulho - a visita presencial de alguém tantas vezes virtual (mas não ausente), é algo quase surreal!

Sinto que a realização de um sonho que parecia distante está prestes a se realizar: a conclusão de uma longa e difícil jornada que exigiu sacrifícios de toda sorte, necessários, porém, para aprimorar minha formação atual. Sim, porque esta busca pelo aperfeiçoamento - em todas as dimensões - não deve cessar nunca!