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terça-feira, 16 de novembro de 2010

2008/2 - Uma mistura interessante




Assim como em “Estudos Sociais” no semestre anterior, nesta interdisciplina de ESCOLA, CULTURA E SOCIEDADE - ABORDAGEM SOCIOCULTURAL E ANTROPOLÓGICA, também refleti sobre minha prática educativa e as concepções de educadora, o que, aliás, foi estimulado também por outros professores e interdisciplinas , ainda que sob enfoques diferenciados.

SER PROFESSORA...
“... as leituras - tanto obrigatórias, quanto complementares - vêm propondo aproximações com a prática e reflexões sobre a realidade da educação e da sociedade atuais.A primeira dessas reflexões foi sobre o nosso fazer cotidiano: o que é realmente ser professora? Dialogando com Paulo Freire, relembrando as aproximações com o seu pensamento, pesquisando, retornando aos textos sugeridos, pensei novamente sobre a minha própria formação docente, trazendo exemplos da experiência como professora, destacando os aspectos marcantes na formação do professor e as implicações desta formação no trabalho que hoje desenvolvo com meus alunos e alunas da Educação Infantil. Destaco alguns trechos desta atividade, disponível em:https://www.ead.ufrgs.br/rooda/webfolio/abrirArquivo.php/Usuarios/22709/Disciplinas/7728/ECS1.doc“Ser professora e suas implicações históricas”...Ao optar exclusivamente pela atuação numa escola de Educação Infantil, libertei-me da “obrigação” de aprovar ou reprovar o aluno no final de um lindo processo de construções, intervenções e descobertas, às vezes considerado insuficiente pelo professor da série seguinte, adepto do ensino “bancário”....Movida também pela consciência da precariedade da minha formação inicial, procuro o aprimoramento de minha prática através de leituras constantes, cursos, troca de experiências com colegas e, recentemente, o curso de Pedagogia à Distância, mais compatível com a minha carga horária semanal de 54 horas....Quando penso nas implicações de permanecer 10 horas diárias com meus alunos de 2 – 3 anos, fico emocionada e muito preocupada com a responsabilidade que tenho em mãos, afinal, sou um referencial importantíssimo para eles, sob vários aspectos. Conforme Freire, ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo. E confesso que essa compreensão muitas vezes me assusta. Como conscientizar esses pequenos cidadãos do seu direito e do seu dever de mudar o mundo?Recentemente, a escola promoveu mais uma edição da Mostra de Vivências, uma exposição interativa do trabalho realizado com as turmas do Berçário I até o Nível V. As crianças, as famílias e a comunidade em geral puderam conhecer os projetos desenvolvidos nessa instituição da rede municipal de ensino, explicados pelos próprios alunos. Um exemplo de que na Educação Infantil também é possível pesquisar, criar, construir conhecimentos e, principalmente, idealizar um mundo repleto de sonhos possíveis!”

Hoje vejo com outros olhos a participação recente dos meus alunos de 5 anos na 8ª Feira de Vivências/2010: mais do que a interação com os visitantes, explicando nossas produções no projeto “As pessoas e a Natureza”, incentivei a apreciação dos trabalhos das outras turmas, uma vez que seu interesse maior era justamente esse espaço desconhecido!

Por quê? Mais uma vez. discorro sobre as maravilhas do meu espaço de trabalho,
"onde a realidade (ainda) não é tão angustiante quanto a descrita no texto. Os gestores da rede municipal de ensino, de um modo geral, se esforçam para qualificar cada vez mais a educação em Ivoti. Há investimentos no aperfeiçoamento pessoal e profissional dos professores e funcionários da rede e, além disso, as famílias dos alunos, em sua maioria, auxiliam nas despesas com propostas e materiais diferenciados. Isto, sem dúvida, contribui para uma melhor qualidade do ensino. A riqueza das atividades pedagógicas oferecidas aos alunos não está vinculada à renda de seus pais e a eficiência do sistema público pode ser comparada à eficiência do privado, pois os recursos disponíveis dentro de cada rede se assemelham bastante. E devido a essa considerável qualidade do ensino, muitas famílias de classe média mantêm seus filhos nas escolas municipais, estabelecendo, inclusive, uma forte rede de apoio - financeiro, técnico e pedagógico - conferindo às escolas um caráter democrático onde seus atores - alunos, docentes, administradores e pais – mostram-se conscientes da função política da escola e de seu papel na formação do cidadão."
...



Refletir sobre questões de ordem administrativa, financeira e pedagógica foi um dos objetivos principais da interdisciplina de ORGANIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL . Embora presentes no meu ambiente de trabalho, como componentes básicos da autonomia escolar, reconheci nas falas de professores, colegas e tutores a complexidade de sua instauração nos diferentes sistemas e estabelecimentos de ensino. Ao situar o contexto histórico, social e político do qual emergiu a gestão democrática e os conceitos básicos que norteiam esse modo de gerir a educação atualmente, as leituras realizadas inicialmente ampliaram meus conhecimentos sobre políticas de organização da gestão dos sistemas de ensino, principalmente da escola pública. Atuando na rede municipal de ensino desde 2001, primeiro no Ensino Fundamental e agora na Educação Infantil, venho participando de forma cada vez mais crítica e ativa do processo de construção e consolidação dos princípios da gestão democrática na rede em questão, postura impulsionada pela formação continuada oferecida pelo poder responsável, mas também pelas provocações "impostas" pelo Pead, admito.

"Como em outras disciplinas do curso, anteriores e posteriores a essa, o segundo módulo da interdisciplina ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA EDUCAÇÃO me fez pensar ... sobre a avaliação escolar...

AVALIAÇÃO... classificatória ou formativa!?

O texto base Organização Curricular da Escola e Avaliação da Aprendizagem destaca que a concepção de avaliação também deve ser debatida, discutida e estabelecida na construção do PPP pela comunidade escolar - Pais, Professores, Alunos e Funcionários. Além disso, aponta o currículo e a avaliação da aprendizagem escolar como faces indissociáveis de uma mesma moeda, que ocorrem simultaneamente.

AVALIAÇÃO CLASSIFICATÓRIA: caracteriza-se pela aplicação de instrumentos como questionários, provas, trabalhos escritos em geral, em períodos regulares (final de cada mês, bimestre ou semestre) com o objetivo de verificar a quantidade de informações que os alunos assimilaram naquele período, classificando-os em escalas de notas ou de conceitos tratados como se fossem notas. É uma concepção intensamente questionada, mas ainda utilizada por muitos professores.

AVALIAÇÃO FORMATIVA: preocupa-se com o processo de aprendizagem dos alunos ao longo do desenvolvimento curricular e ocorre por meio do seu acompanhamento, com o objetivo de reorientá-los a cada dificuldade encontrada. Possibilita uma intervenção imediata no processo de aprendizagem, permitindo que o currículo em desenvolvimento seja reconstruído durante o processo, comprovando sua natureza dinâmica no atendimento das necessidades dos alunos.

MINHA REALIDADE: ... a avaliação considera o processo de aprendizagem ao longo do desenvolvimento curricular. Acontece através de um acompanhamento centrado nos progressos dos alunos e a troca de informações entre os professores, equipe de apoio e familiares é constante – não apenas trimestral. Isso agiliza as intervenções necessárias, que visam o bem-estar dos alunos e seu pleno desenvolvimento físico, afetivo e cognitivo." ...

Como já citei anteriormente, muitas características positivas apontadas como fundamentais numa gestão democrática do ensino estão presentes na minha escola, como bem cito numa postagem da época e reitero hoje...

CONSCIÊNCIA E PARTICIPAÇÃO

"No módulo 4 – Elementos Fundamentais da Gestão Democrática – assistimos a um vídeo de entrevistas sobre o tema: http://videogestoademocratica.pbwiki.com/

... a gestão democrática é um processo lento e gradual. É preciso ter paciência para ver os resultados dessa caminhada conjunta de toda a comunidade escolar. ...

Um trecho da primeira parte do vídeo me chamou a atenção, em especial: um telespectador de Tocantins (orientador de aprendizagem) relatou que a tentativa de implantação de gestões democráticas em educação esbarra na fragilidade das relações da chamada tríplice aliança (escola, família, sociedade) que tem papel fundamental no sucesso da democracia na gestão escolar. Estas não estariam atuando de forma harmoniosa, mas isoladamente, e impondo a culpa pelo fracasso escolar no processo de ensino-aprendizagem aos demais. Uma das convidadas do programa SALTO PARA O FUTURO, a supervisora de educação da secretaria municipal de Porto Alegre, ressaltou que, para a teoria tornar-se prática, nesse caso, é preciso conciliar opiniões e isso faz parte de um processo demorado, não-linear. ... cita ainda que um dos pressupostos da democracia é trabalhar de forma positiva os conflitos, já que não há consensos pré-estabelecidos. Mais uma vez, posso me orgulhar de trabalhar num ambiente privilegiado, em que as pessoas, pais, professores e alunos, têm voz e vez! ... ”

Com muitos pontos em comum com a disciplina relembrada anteriormente, ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DA EDUCAÇÃO abordou a educação escolar como direito à cidadania e dever do Estado e da sociedade; a organização da educação no país, em seus diferentes níveis e sistema; as competências das esferas; instâncias de acompanhamento e controle; financiamento; valorização do magistério; políticas curriculares e de avaliação (MAIS UMA VEZ!), entre outras abordagens.
"A EDUCAÇÃO ENQUANTO POLÍTICA SOCIAL
Refletir a educação enquanto uma política social, no contexto da sociedade capitalista contemporânea e relacioná-la com o processo de globalização e a redefinição do papel do Estado pareceu, a princípio, uma proposta complexa. O preenchimento do quadro (cristina_conceitosestruturantes1.doc) com conceitos como globalização e neoliberalismo, sem consultas prévias, foi um desafio e tanto! Todavia, após a leitura - e releituras - do texto Política pública e gestão da educação em tempos de redefinição do papel do Estado, a redefinição dos conceitos do mesmo quadro (cristina_conceitosestruturantes2.doc) foi possível, tornando mais claros e abrangentes os meus conhecimentos sobre os mesmos."
E em meio a tantas informações deprimentes acerca das condições precárias da educação pública do Brasil, releio outra consideração da qual posso me orgulhar, depois de pesquisar sobre o Conselho Municipal de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB do município de Ivoti...
" ... as últimas administrações municipais, independente dos partidos políticos a que pertencem, vêm garantindo a oferta de condições de qualidade nas instituições públicas, o que se observa, por exemplo, na existência de recursos pedagógicos em quantidade e qualidade, nas boas condições dos prédios e instalações escolares, na garantia de um horário de planejamento para os professores e nos investimentos em formação continuada para todos os profissionais da educação." ...
Recentemente, aceitei o convite de uma colega para integrar uma chapa concorrendo à direção da nossa amada escola e tenho plena convicção de que as construções oportunizadas pelas interdisciplinas deste semestre em especial contribuiram na minha decisão, uma vez que me sinto qualificada para um trabalho de qualidade também na área de gestão escolar.
Mais um trabalho em grupo: PROJETO PEDAGÓGICO EM AÇÃO propôs e, depois de formarmos nova equipe, definimos uma PESQUISA DE CAMPO: escolhemos uma pergunta geradora, redigimos nossas dúvidas e certezas sobre a temática, organizamos um mapa conceitual inicial sobre a temática e criamos um wiki para usarmos como ambiente de trocas, postagens, enfim, para a efetiva construção do nosso trabalho:

COMO A TELEVISÃO INFLUENCIA NA EDUCAÇÃO?

Virtualmente, trocamos idéias, materiais e todas as integrantes do grupo colaboraram na busca das informações para responder à grande pergunta da pesquisa, sanar as dúvidas e comprovar as certezas.
A entrevista com pais e filhos, questionados sobre vários aspectos da televisão, sua programação e o uso que fazem desse veículo de comunicação em massa, surpreendeu:
“...a maioria dos pais – ou melhor, das mães – se preocupa com o que os filhos assistem na televisão, pois têm consciência da sua influência na educação das crianças e jovens. Os filhos, ao contrário dos pais, não têm um olhar tão crítico com relação ao conteúdo da tevê aberta, pois muitos assinalaram que ela “não torna as pessoas mais consumistas, não expõe à violência, não atrapalha o desempenho escolar.”
SERÁ??

Os estudos da interdisciplina de PSICOLOGIA DA VIDA ADULTA começaram com a elaboração de um pequeno texto sobre a vida adulta, considerando uma série de aspectos, sendo o mais interessante deles - como o adulto aprende. Através das leituras realizadas para construir um quadro identificando o maior número possível de comportamentos das diversas fases da vida adulta descritas por Erikson, procurei contemplar os diferentes aspectos solicitados, o que resultou em importantes aprendizagens.
A seguir, o link para o webfolio da interdisciplina, onde se encontra o quadro de fases da vida adulta, segundo Erikson:https://www.ead.ufrgs.br/rooda/webfolio/abrirArquivo.php/Usuarios/22709/Disciplinas/7016/quadrodefasescristina.doc
Na primeira aula presencial recebemos orientações sobre os Projetos Temáticos. Formamos os grupos e cada um escolheu um(a) líder. Optamos pelo tema “A cultura de ter filhos” e começamos a pensar nos pontos principais da pesquisa... A interação entre o grupo foi crescendo e desenvolvemos um PowerPoint melhor a cada versão. O resultado? Um trabalho de pesquisa e criação muito dinâmico, sendo que o ppt pode ser acessado no seguinte endereço:
Ao final do semestre, SEMINÁRIO INTEGRADOR V lançou um desafio e tanto:
Tendo como caso de estudo a escola, descrever situações nas quais identifico alguns dos conceitos abordados abordados durante os estudos realizados!
Que prazer reler meus escritos e constatar que a instituição da qual faço parte é "um oásis no deseto" - perdoem o clichê - e, principalmente, certificar-me da relevância da graduação em conclusão para a minha vida pessoal e profissional:
"Os trabalhos em grupo desenvolvidos no Pead, assim como aqueles utilizados em nossas salas de aula, são igualmente desafiadores para nós, alunos-professores, por exigirem posturas a que não estamos habituados, como respeito à opinião e ao tempo do outro, valorização da produção alheia na AUTORIA coletiva, COOPERAÇÃO mútua, aceitação de diferentes pontos de vista, mesmo que sejam opostos aos nossos. Às vezes, temos que controlar a ansiedade, o egoísmo, o perfeccionismo e aprender, na idade adulta, o que nossos alunos têm a oportunidade de vivenciar na infância, construindo com solidez , mas de forma lúdica e prazerosa, os importantes conteúdos curriculares selecionados em conjunto pela turma toda para o desenvolvimento dos PROJETOS de aprendizagem..."

domingo, 4 de julho de 2010

Preparando a apresentação do Eixo VIII... Estágio Curricular!

Sintetizar as tantas e tão consistentes aprendizagens do estágio curricular de 180 horas em um documento* de duas a três páginas exigiu uma capacidade de síntese que eu não imaginava possuir ainda.
Já a criação da tradicional apresentação dessa síntese de aprendizagens - o workshop de encerramento de semestre - constituiu tarefa menos complexa, embora a explanação através de um powerpoint** não pudesse exceder a dez minutos.
A inclusão de fotos conferiu um ar de encantamento e veracidade aos relatos, a meu ver, talvez por eu ter vivenciado intensamente cada momento descrito, positivo ou não, alegre ou melancólico, tranquilo ou estressante...
Sem dúvida, algumas constatações contribuirão para a definição de um assunto para o Trabalho de Conclusão de Curso, entre elas:
- as características e as intensidades de toques entre os meninos; as meninas; ou entre ambos variavam muito e as atividades proporcionadas para estimular diferentes interações físicas foram recebidas de forma muito variável;
- os apelos televisivos explicitados pelos alunos, especialmente após os finais de semana, apresentam grandes inadequações para a faixa etária e a própria infância, em geral (violência, sensualidade, gírias e palavrões...);
- a presença de diferentes objetos de transferência, alguns muito prejudiciais para a saúde física e emocional das crianças (uso de chupetas ou hábito de chupar o dedo, paninhos, almofadas e/ou cobertores de bebê para o sono...).
Diante dessas temáticas absolutamente instigantes e relevantes para a qualificação das minhas interferências educativas junto à turma do Nível 5 encontro-me realmente dividida, pois, ao mesmo tempo em que tenho de optar por uma delas para efetivar maiores aprendizagens, permanece a vontade e a necessidade de pesquisar sobre as outras duas, de igual importância nesse momento.
** Disponível em: CRISTINA_WORKSHOP_2010_1.ppt

sábado, 19 de junho de 2010

LUGAR COMUM OU ASSUNTO IMPORTANTE?



Ao constatar a necessidade de realizar uma décima semana de estágio, recuperando 12 horas/aula referentes a dois feriados e uma formação continuada, elaborei o planejamento destas três manhãs de atividades contemplando uma temática em destaque na mídia televisiva, à qual meus alunos tem acesso facilitado. Assim, O BRASIL NA COPA, título dado à unidade de estudo, abordou algumas questões relacionadas ao mundo do futebol, aos símbolos nacionais e ao amor pela pátria, independente de seu desempenho nesta competição.

Confesso que fiquei dividida entre duas posturas, ou dois pensamentos:

- por que enaltecer ainda mais algo que já está recebendo demasiada importância pela maior parte das pessoas, em detrimento de outras demandas urgentes?

- já que o assunto está presente em praticamente todos os lares e as crianças trazem questionamentos e opiniões a seu respeito, por que não viabilizar uma compreensão maior do mesmo, sob outro ângulo?
Sendo assim, segui minha intuição - esta também baseada em minha formação - e optei por oportunizar diversas vivências escolares com o objetivo de despertar o amor e o respeito pela pátria, através de conhecimentos sobre a Bandeira Nacional, a entoação do Hino e o acompanhamento dos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo 2010 na África do Sul.
Analisando minha trajetória pessoal e profissional, percebo que, em muitos momentos, mantive uma certa distância desses clichês, por considerá-los - imaginem! - deselegantes, pouco atrativos e até piegas. Ultimamente, porém, assumo um lugar na sociedade que não permite esse distanciamento das coisas do povo... Será influência de Paulo Freire, estudioso tantas vezes reverenciado em várias interdisciplinas do curso de graduação em Pedagogia?
Talvez e provavelmente sim, porque também penso que sou - e serei sempre - um indivíduo inacabado, uma educadora em formação, um ser humano em evolução. Por isso mesmo, a busca do aperfeiçoamento profissional, vinculado à realização pessoal, faz-se necessária
e urgente, tamanho o comprometimento que assumo frente às múltiplas tarefas de professora, mãe, amiga, esposa, filha... Dificuldades há, e muitas, enfrentadas diariamente com força e determinação que eu desconhecia em mim, mas com a certeza de estar no caminho certo, contribuindo positivamente para as mudanças tão necessárias em nossa sociedade. Singelamente, estas mudanças passam por meus alunos, familiares e tantos outros sujeitos que cruzam o meu caminho, deixando algo de si e levando também algo de mim...
"Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Está é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado. Paulo Reglus Neves Freire (1921 - 1997), educador brasileiro.
Referência:
PENSADOR.INFO. Frases de Paulo Freire. Disponível em:

sábado, 29 de novembro de 2008

Educação: políticas públicas e desigualdade no Brasil



Confesso que foi um tanto difícil relacionar o texto Desigualdades educativas estruturais no Brasil: entre Estado, privatização e descentralização com a realidade da minha escola e com a realidade da educação gaúcha.

Por quê?

Felizmente, trabalho numa escola e num município, até, em que a realidade (ainda) não é tão angustiante quanto a descrita no texto. Os gestores da rede municipal de ensino, de um modo geral, se esforçam para qualificar cada vez mais a educação em Ivoti. Há investimentos no aperfeiçoamento pessoal e profissional dos professores e funcionários da rede e, além disso, as famílias dos alunos, em sua maioria, auxiliam nas despesas com propostas e materiais diferenciados. Isto, sem dúvida, contribui para uma melhor qualidade do ensino.

A riqueza das atividades pedagógicas oferecidas aos alunos não está vinculada à renda de seus pais e a eficiência do sistema público pode ser comparada à eficiência do privado, pois os recursos disponíveis dentro de cada rede se assemelham bastante.

E devido a essa considerável qualidade do ensino, muitas famílias de classe média mantêm seus filhos nas escolas municipais, estabelecendo, inclusive, uma forte rede de apoio - financeiro, técnico e pedagógico - conferindo às escolas um caráter democrático onde seus atores - alunos, docentes, administradores e pais – mostram-se conscientes da função política da escola e de seu papel na formação do cidadão. E muitos já compreendem que reformas estruturais são infinitamente mais importantes do que realizações materiais visíveis.

Assim, espalhando pequenas sementes - invisíveis - através do meu trabalho com os pequenos, vejo a diferença que faço no ambiente em que atuo e na vida de cada um dos meus alunos. Espero poder ver, também no futuro, os bons frutos provenientes das pequenas “reformas” que ajudo a implementar nas práticas educativas e nas relações entre os membros da comunidade escolar.


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

MARX e MÉSZAROS

Escola, Cultura e Sociedade propôs diálogos entre nós, com clássicos como Marx e também com autores contemporâneos como Mészáros. Mais do que lê-los e discuti-los, tentamos entender como e em que nos ajudam a conhecer, ler, compreender e intervir em nossa realidade.
No fórum Marx e Mészáros, fomos desafiadas a refletir e discutir as idéias fundamentais de dois pensadores de épocas distintas, argumentando como os pensamentos destes autores ajudam a compreender a realidade da educação brasileira.


O economista, filósofo e socialista judeu-alemão, Karl Marx (1818 – 1883), foi um dos maiores pensadores revolucionários do século XIX. Suas idéias, no entanto, só alcançaram grande repercussão no século XX, após a revolução que criou a União Soviética. Para ele, as lutas sociais decorriam da Revolução Industrial na Europa e do conflito entre o burguês e o proletário. A história da humanidade sempre fora marcada pela luta de classes, cuja intensidade variava com o tempo. Na Antigüidade clássica, por exemplo, ela se dava pelo permanente confronto entre os senhores e os escravos. Na Idade Média, o conflito entre as classes evidenciava-se no esforço dos servos e dos vilãos (plebeus) para se emanciparem do domínio que os senhores feudais exerciam sobre eles.

Marx tinha uma visão otimista do destino da humanidade: acreditava que a batalha final, travada entre os capitalistas e os operários, levaria à vitória dos operários, que representavam a maioria da sociedade. A partir de então, se constituiria um mundo ideal onde todas as diferenças de classe desapareceriam e a igualdade entre os homens finalmente aconteceria!!! Com essa revolução social, escreveu ele ao encerrar O manifesto comunista, em 1848, “os proletários nada têm nada a perder, a não ser seus grilhões. E têm um mundo a ganhar.”
Como cientista social, a maior contribuição de Karl Marx foi seu estudo sobre o funcionamento da sociedade capitalista, cujo primeiro volume, intitulado O capital, surgiu em 1867, o único publicado em vida. Iniciando pela análise da produção das mercadorias, realiza uma impressionante descrição do sistema capitalista, sua evolução e suas transformações. Segundo ele, o capitalismo era um sistema historicamente datado e, portanto, sujeito a desaparecer no tempo. Sua existência, tal como acontecera com o escravismo e o feudalismo, terminaria com uma grande crise, uma espécie de catástrofe geral da economia e das instituições. A previsão de Marx era a de que a falência do capitalismo ocorreria nos países mais industrializados da Europa. Contraditoriamente, essa concepção marxista veio a triunfar na Rússia e na China, países rurais e atrasados.


István Mészáros, nascido em 1930, na Hungria, com doze anos e meio já trabalhava como operário em uma fábrica de aviões de carga, tendo que mentir a idade em quatro anos para isso. Começou a trabalhar como assistente de Georg Lukács, filósofo húngaro, em 1951 e seria indicado como seu sucessor na universidade de Budapeste, mas a invasão soviética de 1956 forçou-o a sair do país. Sua experiência como trabalhador e estudante na Hungria “socialista” foi determinante para a compreensão da educação como forma de superar os obstáculos da realidade. Professor da Universidade de Sussex, na Inglaterra, é um dos principais pensadores marxistas da atualidade, aliás, um pensador radical.

Ele denuncia a falsidade da idéia de que chegamos ao fim do imperialismo e da era dos impérios, apresentando uma crítica corajosa que demonstra a agressividade da política norte-americana num mundo onde a globalização se caracteriza pela degradação ambiental, pela desvalorização do trabalho, pelos massacres dos povos, pela perda dos sentidos e dos valores de humanidade e de vida social, impondo ao mundo uma política de destruição próxima de seu limite.

Foi muito prazeroso e instrutivo pesquisar e discutir sobre esses dois geniais pensadores, refletindo sobre as diferentes concepções do humano, escola, educação, cultura, sociedade e educação escolar no Brasil e no mundo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SER PROFESSORA...



Na interdisciplina Escola, Cultura e Sociedade: uma abordagem sociocultural e antropológica, as leituras - tanto obrigatórias, quanto complementares - vêm propondo aproximações com a prática e reflexões sobre a realidade da educação e da sociedade atuais.
A primeira dessas reflexões foi sobre o nosso fazer cotidiano: o que é realmente ser professora? Dialogando com Paulo Freire, relembrando as aproximações com o seu pensamento, pesquisando, retornando aos textos sugeridos, pensei novamente sobre a minha própria formação docente, trazendo exemplos da experiência como professora, destacando os aspectos marcantes na formação do professor e as implicações desta formação no trabalho que hoje desenvolvo com meus alunos e alunas da Educação Infantil.


Destaco alguns trechos desta atividade, disponível em:

https://www.ead.ufrgs.br/rooda/webfolio/abrirArquivo.php/Usuarios/22709/Disciplinas/7728/ECS1.doc

“Ser professora e suas implicações históricas”

Embora diferentes na forma de apresentação e no conteúdo propriamente dito, Pedagogia da Autonomia – rebuscado e denso – e Pedagogia da Autonomia – leve e emocionante – refletem o pensamento crítico deste grande educador brasileiro, que chegou a ser exilado por causa de sua filosofia educacional inovadora, em especial a alfabetização como um processo de conscientização e libertação.
...
Ao optar exclusivamente pela atuação numa escola de Educação Infantil, libertei-me da “obrigação” de aprovar ou reprovar o aluno no final de um lindo processo de construções, intervenções e descobertas, às vezes considerado insuficiente pelo professor da série seguinte, adepto do ensino “bancário”.
...
Movida também pela consciência da precariedade da minha formação inicial, procuro o aprimoramento de minha prática através de leituras constantes, cursos, troca de experiências com colegas e, recentemente, o curso de Pedagogia à Distância, mais compatível com a minha carga horária semanal de 54 horas.
...
Quando penso nas implicações de permanecer 10 horas diárias com meus alunos de 2 – 3 anos, fico emocionada e muito preocupada com a responsabilidade que tenho em mãos, afinal, sou um referencial importantíssimo para eles, sob vários aspectos. Conforme Freire, ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo. E confesso que essa compreensão muitas vezes me assusta. Como conscientizar esses pequenos cidadãos do seu direito e do seu dever de mudar o mundo?
Recentemente, a escola promoveu mais uma edição da Mostra de Vivências, uma exposição interativa do trabalho realizado com as turmas do Berçário I até o Nível V. As crianças, as famílias e a comunidade em geral puderam conhecer os projetos desenvolvidos nessa instituição da rede municipal de ensino, explicados pelos próprios alunos. Um exemplo de que na Educação Infantil também é possível pesquisar, criar, construir conhecimentos e, principalmente, idealizar um mundo repleto de sonhos possíveis!
Concluo minhas reflexões com uma frase marcante de Paulo Freire, que considero uma síntese dos meus sonhos como mulher, mãe e educadora:
“Não creio na amorosidade entre mulheres e homens, entre os seres humanos, se não nos tornamos capazes de amar o mundo.”